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Sem oportunidades, 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam

Sem oportunidades, 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam

Publicado no dia 05 de Dezembro de 2018
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O Ipea divulgou nesta segunda-feira (3) pesquisa que mostra mais uma faceta da triste realidade atual do país: cerca de 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam no momento. Tal percentual é formado, em sua maioria, pormulheres e jovens de baixa renda.

O estudo “Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar?” traz os dados de cerca de 15 mil jovens entre 15 e 24 anos de nove países: além do Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Haiti, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Somados, todos eles possuem 49% de jovens que se dedicam exclusivamente ao estudo ou algum tipo de capacitação, 13% que só trabalham e  outros 15% que trabalham e estudam ao mesmo tempo.

Os jovens são conhecidos como “nem-nem” pelo fato de não trabalharem ou estudarem, mas apesar do nome que pode trazer a ideia de que eles são ociosos, o estudo mostra que as razões para esse cenário são problemas com habilidades cognitivas e socioemocionais, falta de políticas públicas, obrigações familiares com parentes e filhos, entre outros.

Mais da metade dos jovens pertencentes a esse grupo na América Latina é formado por mulheres que ocupam todo o seu tempo com obrigações familiares: 64% do total.

Falta de oportunidades em acesso à educação, baixa renda, maternidade e paternidade precoce e ambiente familiar, são alguns dos principais fatores de influência na decisão dos jovens sobre trabalho e estudo.

“São jovens mal classificados, pois, na verdade, muitos participam da força de trabalho. Apenas 3% deles não realizam nenhuma dessas tarefas nem têm uma deficiência que os impede de estudar ou trabalhar. No entanto, as taxas são mais altas no Brasil e no Chile, com aproximadamente 10% de jovens aparentemente inativos”, diz o estudo.

Políticas públicas para reverter o cenário

A pesquisa também traz análise de que os “nem-nem” são os que conseguem destacar mais claramente aviolência e falta de segurança como problemas sociais de seu país. Desta forma, a tentativa de evitar os riscos das ruas pode ser uma das razões para o fato desses jovens não trabalharem ou estudarem, já que é um grupo que realiza principalmente atividades domésticas.

Segundo a pesquisa, o que pode ser feito para reverter esse cenário é o fortalecimento de políticas públicas já existentes e a criação de novas. Melhoria no transporte e mais creches, podem ajudar a diminuir esses números.

Os pesquisadores indicam também a necessidade de maiores investimentos na educação e ações políticas que ajudem numa transição bem-sucedida dos estudos para o mercado de trabalho.

O estudo também destaca a importância da criação de políticas de saúde específicas para jovens que possuam algum problema de saúde mental, traumas ou depressão.

Fonte:
Partido dos Trabalhadores

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