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Dilma: sequelas da ditadura e da escravidão viabilizaram Bolsonaro

Dilma: sequelas da ditadura e da escravidão viabilizaram Bolsonaro

Publicado no dia 21 de Novembro de 2018
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Foto: 
reprodução

“Quando não se julga o processo de terrorismo do estado, e no Brasil não foi julgado, as sequelas da ditadura permanecem, como permaneceram as sequelas de mais de 300 anos de escravidão, que sempre teve a violência como o método principal de controle social. Com isso emerge a extrema direita. Era inimaginável que ela ganhasse um processo eleitoral. A interdição do Lula viabiliza essa vitória”.

A declaração da presidenta eleita Dilma Rousseff foi feita no 1º Encontro Mundial do Pensamento Crítico na Argentina, realizado entre esta segunda (19) e sexta-feira (23) e contará ainda com a participação do candidato do PT, Fernando Haddad, do prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, do ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica, da ex-presidenta da ArgentinaCristina Kirchner e do coordenador do MTSTGuilherme Boulos.

Dilma participou do painel de Democracia, Cidadania e Estado de Exceção promovido, pelo Conselho Latino-americano de Ciências Sociais, e falou sobre as etapas do golpismo e a escalada do fascismo no Brasil. 

Para a presidenta, a ascensão dos governos de extrema direita na America do Sul tem como meta realinhar apolítica externa dos países aos interesses dos Estado Unidos. “Quem venceu as últimas eleições está de costa para a América Latina. Nos nossos governos, os países da América Latina eram fundamentais. A solidariedade entre os países era fundamental”, apontou Dilma.

Ainda segundo a presidenta, o golpe parlamentar de 2016 foi a primeira etapa da destruição da democracia brasileira ao colocar Michel Temer (MDB) na Presidência. Com ele, um estado de exceção teve início com a retirada de direitos dos trabalhadores e a prisão sem provas de Lula. A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) representa, segundo Dilma, o aprofundamento da crise democrática”.

“O Brasil entrou em uma rota trágica porque nós corremos hoje o risco de sair de vez da democracia, e mesmo do estado de exceção em que estamos para um estado neoliberal e neofascista”, destacou Dilma.

A lei como suporte do golpe

Dilma lembrou também que o golpe de 2016 inaugurou uma nova forma de sabotar as democracias latino-americanas ao usar o aparato legislativo e jurídico dos países. Segundo a presidenta, o seu impeachment sem a ocorrência de um crime de responsabilidade evidencia a estratégia estabelecida pelo capital internacional.

“Sofremos em 2016 um golpe sem crime de responsabilidade e sem o cumprimento do padrão legal mínimo daConstituição Federal, não para combater a corrupção. O golpe ocorreu para reenquadrar o Brasil ao neoliberalismo, do qual os países latino-americanos tinham se afastado com os governos progressistas, combatendo a desigualdade de forma sistemática e constante”, explicou.

A presidenta também apontou a condenação, sem provas, do ex-presidente Lula como a etapa final do golpe no Brasil. “O golpe prendeu e impediu Luiz Inácio Lula da Silva de participar das eleições. As pesquisas mostravam claramente que se ele participasse do processo eleitoral ele ganharia. Então, o estado de exceção se completa com várias medidas que usa a própria lei como um biombo. Retirou-se a presunção da inocência e não se respeitou o devido processo legal. Isso viabilizou uma candidatura que convive com a herança da ditadura e da escravidão”, aponta.

Por fim, Dilma reforçou a luta e a resistência contra o ataque a democracia brasileira e lembrou que o PT, apesar de todos os ataques sofridos, elegeu a maior bancada da Câmara e o maior número de governadores nasEleições 2018. “Não basta ganhar ganhar eleitoralmente, eles querem a nossa destruição. Não só do partido, mas também das conquistas dos movimentos sociais, como o MST que tem uma importância imensa no Brasil na luta pela terra e o MTST na questão de acesso à moradia. Nós temos de resistir ao neoliberalismo e o neofascismo”, finalizou a presidenta.

Da Redação da Agência PT de Notícias

Fonte:
Site do PT

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