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Pimentel: Fechamento de agências e demissões vão levar BB a prejuízo

Pimentel: Fechamento de agências e demissões vão levar BB a prejuízo

Publicado no dia 25 de Novembro de 2016
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Em pronunciamento, na tarde desta quinta-feira (24/11), em Brasília, o senador José Pimentel (PT-CE) alertou para as graves consequências do plano de reestruturação do Banco do Brasil, anunciado pelo governo Temer. Para Pimentel, o fechamento das 781 agências e a redução de até 18 mil funcionários, em todo o país, segue a mesma lógica neoliberal de privatização de estatais do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que resultou em prejuízos para o BB.

Pimentel manifestou sua preocupação: “Eu espero que este banco, que lá em 1822, a família real levou à falência, não volte a sofrer prejuízo, por conta dessa elite que deu o golpe de estado, como já ocorreu, em 1995 e 1996, no início do período neoliberal do PSDB e do presidente FHC”. 

O senador apresentou dados para comprovar sua tese. Segundo Pimentel, em 1995, o banco apresentou prejuízo de R$ 4,2 bilhões. Já em 1996, quando o BB adotou o Plano de Demissão Voluntária, que demitiu mais de 13 mil bancários, o prejuízo da instituição financeira subiu para R$ 7,5 bilhões.    

Em contrapartida, destacou Pimentel, “durante os 13 anos do governo do PT, este banco teve lucro todos os anos. E o PT não demitiu nenhum funcionário do BB nesse período”, disse. Segundo o senador, em 2013, o banco apresentou o maior lucro, de R$ 15,7 bilhões. E, em 2015, ano em que o Produto Interno Bruto (PIB) foi negativo e o país enfrentou o pior período de crise política e econômica, o BB lucrou R$ 14,4 bilhões. 

Pimentel também indicou quais setores serão diretamente prejudicados com o fechamento de agências e a redução do número de bancários do BB. “Não há previsão de concurso público para repor essas vagas. Portanto, com menos agências e funcionários, os primeiros que perdem são os pequenos correntistas, os micro e pequenos empresários, os agricultores familiares. Isso ocorreu em 1996, quando um gerente que conseguia fechar uma conta bancária e expulsar do banco os seus clientes, ganhava um prêmio. Ao mesmo tempo, essa opção levou o BB a um prejuízo de R$ 7,5 bilhões ”, disse. 

Agente de crédito - O senador ressaltou ainda que o Banco do Brasil é o primeiro agente de crédito do país para diversos setores. Segundo Pimentel, 80% dos recursos para a agricultura familiar são operacionalizados pela instituição, assim como 70% do crédito disponibilizado para as micro e pequenas empresas. “Só para a agricultura familiar, o volume de recursos disponíveis passou de R$ 2,5 bilhões, em 2003, para R$ 32,5 bilhões, em 2015”, apontou. 

Outro dado apresentado por Pimentel indicou a importância do BB para a economia brasileira. Segundo o senador, em 2002, o banco aplicou em torno de R$ 300 bilhões nos mais diversos setores. Em 2015, o ativo do banco alcançou R$ 1,4 trilhão. “Isso é resultado de uma sociedade que trabalha, que produz riqueza, que tem clareza de que precisa dos bancos públicos para que, efetivamente, a oferta de crédito possa chegar na mão de quem necessita. A rede dos bancos privados não tem compromisso tão forte com a economia nacional”, considerou.

Audiência Pública – Ao final do pronunciamento, Pimentel solicitou à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, que seja votado, na próxima terça-feira (29/11), requerimento dele para realização de audiência pública sobre a reestruturação do BB. 

No requerimento, o senador solicita a presença do presidente do BB, Paulo Caffarelli, para esclarecer os objetivos da redução do número de agências e a demissão de bancários. 

Enxugamento - Segundo o plano anunciado, o Banco do Brasil fechará um total de 781 agências em todo o Brasil, incluindo as capitais dos estados e do Distrito Federal, além de municípios. Deste total, o banco pretende manter 379 pontos com estruturas bem reduzidas, os chamados postos de atendimento.

As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro serão as mais afetadas. Em São Paulo, 97 agências serão fechadas. Já a cidade do Rio de Janeiro perderá 46 agências do BB. 

Ceará - No Ceará, as 10 agências que deixarão de existir estão em Fortaleza e em Novo Oriente. São elas: 3471 (Avenida Monsenhor Tabosa), 3647 (Santos Dumont), 4438 (Ministério da Saúde), 4440 (DNOCS), 4441 (Ministério da Fazenda), 4465 (Aeroporto Pinto Martins) e 5049 (Lagoa de Messejana), a 4436 (Fórum C. Bevilaqua), 4985 (Assembleia Legislativa) e a 1296 (Novo Oriente). Em três dessas agências, o banco pretende operar por meio de um posto de atendimento.