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Cenário é instável com ameaças a Lula e a Fachin

Publicado no dia 29 de Março de 2018
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Diário do Nordeste | Nacional

Rio/Curitiba/Brasília. Após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), conhecida por denunciar abusos aos direitos humanos, o Brasil registra dois casos de violência de cunho político, que repercutiram ontem no mundo com diversas manifestações de repúdio. O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, recebeu ameaças de morte à sua família e teve a segurança reforçada. Já dois ônibus da caravana de Lula foram alvejados no Paraná.

O cientista político Paulo Mora alertou para a radicalização no País. "Pelo que se viu das hostilidades entre esses movimentos no Sul, se o Lula não for preso, nós teremos uma campanha marcada pela violência".

O presidente Michel Temer lamentou o caso. "Precisamos pacificar o País". O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, repudiou. "É gravíssimo o que aconteceu ao ex-presidente Lula".

O presidente do Senado, Eunício Oliveira, disse que as ameaças representam ataques à democracia. "Não vamos tolerar, tenho convicção que vamos encontrar os culpados e punir esses culpados. A democracia não aceita esse tipo de comportamento".

Deputados petistas na Câmara culparam parlamentares da base de apoio ao governo Temer por incitar a violência política. O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ironizou. "Lula quis transformar o Brasil num galinheiro, agora está por aí colhendo ovos por onde passa", disse.

Ciro Gomes (PDT), em uma viagem à França, também comentou. "O ataque criminoso à caravana do ex-presidente Lula é absurdo e deve ser investigado com rigor. E repito a pergunta: quem matou Marielle?".

Já a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) chamou de "fascistas" os autores dos tiros à caravana. "A escolta policial não foi garantida, diferentemente, inclusive, do ocorrido lá no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Dessa forma, milicianos fascistas sentiram-se livres para atentar contra a vida do ex-presidente Lula e contra todas as vidas que estavam dentro daquele ônibus".

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, condenou os ataques. "Não podemos admitir confrontos. Isso é absolutamente antidemocrático e é preciso ter respeito".

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná mandou duas equipes de elite da Polícia Civil para reforçar as investigações.

A presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, disse que "a Justiça não se intimida".

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) afirmou que é "inaceitável qualquer tipo de ameaça a um membro do Poder Judiciário". A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) afirmou que "ameaça, coação e violência" contra membros do STF "põem em risco o estado de direito". Só em janeiro, o STF gastou R$ 14,5 milhões em segurança pessoal, como a contratação de empresas privadas de vigilância.

Jornais americanos e europeus, como "New York Times" e "Guardian", noticiaram o caso. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, expressou "solidariedade". "A democracia está sendo atacada com pedras e balas no país irmão", tuitou.

Cearenses

As ameaças a Fachin e à caravana de Lula, segundo o senador José Pimentel (PT) acrescentam um novo círculo ao "inferno político-judicial do País". "Os acontecimentos combinados da bárbara morte de Marielle e agora o atentado à bala no ônibus da caravana do ex-presidente Lula confirmam que a crise chegou a um novo patamar".

Na avaliação do deputado Aníbal Gomes (PMDB), os atos e ameaças são inadmissíveis e representam uma afronta à democracia. Para o deputado José Airton (PT), os ataques simbolizam um ato de intolerância e ódio contra Lula. "Infelizmente estamos vivenciando uma onda de atentados aos direitos civis", declarou o parlamentar.

Segundo o líder da Oposição na Câmara, deputado José Guimarães (PT), o ataque à caravana deve ser apurado e investigado. "É uma agressão contra a democracia. Não podemos aceitar, nós precisamos reagir a essa ação criminosa contra o ex-presidente Lula", disse.

O deputado Cabo Sabino (Avante) informou que as ameaças contra juízes e políticos estão sendo frequentes e têm atingido várias autoridades. "Já denunciamos isso, e as pessoas estão brincando com a questão da segurança pública", disse. Em relação ao tiros contra o ônibus da caravana, ele defendeu que o caso precisa ser investigado, e a intolerância combatida.

Colaborou Carolina Curvello